‘Guesthouse’ na Estação de Esmoriz

2020-07-13

A Cork Train Station Guesthouse abriu ao público a 8 de julho, dia em que a Estação de Esmoriz (Linha do Norte) completou 157 anos.

Com quatro quartos duplos cheios de luz , dois virados para a linha férrea e outros tantos para o largo frente à estação, os novos aposentos dispõem de casa de banho privativa e de uma pequena sala de estar. A nova casa de hóspedes, projetada a partir das habitações dos antigos chefe e subchefe da estação, proporciona ainda uma sala de estar/jantar comum e uma cozinha totalmente equipada.

Mas esta história começou muito antes. Quando, no final de 2015, Mariana Oliveira, 40 anos, professora de Filosofia e André Gomes, 39, comercial/vendas numa multinacional partiram à aventura pelo mundo, numa longa viagem de dez meses que os levou a Inglaterra, Indonésia e outros países do Sudeste Asiático, Austrália e Nova Zelândia. Pelo caminho, conheceram muita gente interessante e locais de alojamento originais, fizeram house-sitting e pet-sitting, e “foi assim que a ideia de receber pessoas na sua própria casa foi fermentando”, afirmam.

De regresso a casa, entre Esmoriz e a vizinha Cortegaça, foi difícil retornar às antigas tarefas e estilo de vida. O “bichinho” da experiência adquirida noutras paragens crescia e Mariana e André resolveram deixar as suas ocupações e começar a procurar um espaço onde pudessem dar corpo ao seu sonho.

Uma fotografia da Estação de Esmoriz foi o clique que levou o casal a contactar a IP Património, ainda em 2018. O 1º andar do Edifício de Passageiros, uma área de 172 m2, estava devoluto depois de ter sido durante décadas residência de ferroviários. Era o local ideal, e assim nasceu a Cork Train Station Guesthouse depois de um projeto de adaptação/reabilitação do espaço, com os dois fogos originais transformados em quatro quartos após obras de adaptação e renovação iniciadas em outubro de 2019.

A decoração é simples, quase minimalista, numa mistura do rústico e da tradição com o design retro – mobiliário recuperado, portas antigas a fazer divisórias, uso da cortiça em diversos objetos decorativos e como material ideal para o isolamento térmico e acústico e para amortecimento das vibrações, a velha chaminé e os utensílios de cozinha a ganharem vida de novo.

Agora é tempo de usufruir e não faltam atividades na zona. Desde uma caminhada até à praia pelos passadiços da Barrinha de Esmoriz/Lagoa de Paramos a visitas ao Museu da Cortiça, em Santa Maria de Lamas ou aos belos painéis de azulejos das estações de Esmoriz, Ovar e Aveiro. Ou ainda aulas de surf e passeios de bicicleta.

Na guesthouse, além do pequeno almoço, pode ter refeições a pedido, com marcação. Quem sabe se o André não lhe reserva uma surpresa e traz um peixe acabadinho de pescar para o jantar?