164 anos do Caminho-de-Ferro em Portugal

2020-10-28

Em dezembro de 1844 foi fundada a Companhia das Obras Públicas de Portugal, cujo objetivo era promover um conjunto de estudos para a construção do caminho-de-ferro.

Quase 12 anos volvidos, no dia 28 de outubro de 1856, foi aberto ao público o troço entre Lisboa e Carregado, na Linha do Leste, agora designada Linha do Norte, e assim inaugurada a infraestrutura.

Em 164 anos a ferrovia alterou totalmente a mobilidade de pessoas e bens. Comboios, linhas, estações, pontes, túneis e viadutos mudaram a paisagem e a urbanidade, enriquecendo as pessoas com a descoberta de outros horizontes, de caminhos para novas oportunidades, tornando o longe mais perto.

Factos com história

  • A Ponte Maria Pia foi inaugurada a 4 de novembro de 1877, possibilitando a ligação ferroviária entre o norte e o sul do País.
  • O caminho-de-ferro chegou ao centro histórico do Porto no dia 7 de novembro de 1896, mas o edifício de passageiros definitivo só foi inaugurado a 5 de outubro de 1916, dez anos depois da Implantação da República em Portugal. A Estação de São Bento foi construída no local do antigo Convento de São Bento de Avé Maria.
  • Sem estes três materiais não teria havido caminho-de-ferro: o ferro para os carris, locomotivas, pontes, coberturas das plataformas, rebites, tirefonds, a madeira para as travessas e a água para as locomotivas a vapor.
  • Tempos houve em que o “copo de água” era uma instituição tão modesta como útil e económica para os viajantes em Portugal. Custava 10 réis em todo o país e os passageiros já conheciam a água excelente de Albergaria, de Mangualde, da Ermida, da Benespera, de Alpedrinha, da Azaruja. Só mais tarde o copo de água fresca passou para dois tostões, e quando alguém dava só um a vendedora aceitava-o e ia adiante. Depois, alguém se lembrou de “engarrafar” a água, enchendo graciosas bilhas de barro. Custo: um escudo. 
  • São quatro as estações de caminho-de-ferro do Barreiro e quatro os respetivos edifícios de passageiros. O primeiro, de “pedra e cal”, data de 1861 e é anterior ao de Lisboa-Santa Apolónia (1865). O segundo, com projeto do Engenheiro Miguel Correia Pais (1825-1888), foi inaugurado a 4 de outubro de 1884. O terceiro e quarto edifícios - Barreiro e Barreiro-A -, ambos da autoria do arquiteto Motta Guedes, foram inaugurados em 2008.
  • Os relógios tradicionais das estações, na sua grande maioria fabricados em Paris pela Casa Paul Garnier, são um símbolo central do caminho-de-ferro. Trata-se da interação de uma dupla de relógios: um, o regulador, de caixa alta, colocado na sala de espera, alberga o mecanismo de pesos; o segundo, angular, de duas faces, está disposto perpendicularmente à parede exterior do edifício, comunicando os dois através de abertura na parede, possibilitando desta forma a informação horária aos passageiros no interior e no exterior, para os dois lados da plataforma.

Ferrovia 2020

Hoje, e conscientes da importância do caminho-de-ferro, está em curso o Plano de Modernização da Rede Ferroviária Nacional, “Ferrovia 2020”, encontrando-se atualmente numa fase decisiva do seu desenvolvimento, com mais de 77% dos investimentos previstos já em contratação ou em obra, outros já finalizados e ao serviço das populações. 

O Ferrovia 2020 é um investimento fundamental para o incremento da eficiência e competitividade do sistema ferroviário. 

O Programa aposta em três eixos fundamentais, para reforço das ligações internacionais: 

  • O Corredor Internacional Norte, com a modernização das linhas de Leixões, da Beira Alta e da Beira Baixa, garantirá a articulação entre os portos do Norte e Centro com a fronteira de Vilar Formoso;
  • O Corredor Internacional Sul, com a modernização do ramal de acesso ao Porto de Setúbal, linhas do Sul, Alentejo, Vendas Novas e do Leste e a construção da nova linha entre Évora e Elvas/Caia, permitirá a ligação dos portos do Sul e a fronteira com Espanha;
  • O Corredor Norte/Sul, com a modernização das linhas do Norte e do Minho, melhorará a ligação ferroviária entre o eixo atlântico de Portugal e os restantes países europeus.  

Contribui ainda com francos benefícios ao nível do conforto nas viagens do dia-a-dia, com o investimento que se encontra em curso para as linhas do Douro, Oeste, Algarve e Cascais.

Trata-se, por isso, do maior programa de investimento na ferrovia nacional das últimas décadas, envolvendo no total 2,1 mil milhões de euros, comparticipado por fundos da União Europeia, no âmbito do Portugal 2020 e do Programa CEF - Connecting Europe Facility.

Outras iniciativas comemorativas

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No âmbito das comemorações desta efeméride, o Museu Nacional Ferroviário, do qual a Infraestruturas de Portugal é um dos cofundadores, vai assinalar os 164 anos da inauguração do caminho-de-ferro no nosso país com visitas ao interior do Comboio Real Português, no dia 28 de outubro, entre as 10h00 e as 15h30. Mais informação aqui.